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quarta-feira, dezembro 06, 2006

Homenagem a Paulo Lisboa

Hoje Paulo Lisboa é homenageado em Minas Gerais, no Brasil, a sua terra natal. Infelizmente não podemos estar presentes. Mas não queremos deixar de nos associar a esta homenagem ao Paulo.

Provavelmente serão muitos os amigos que lembrarão o Paulão com grande amizade e carinho; Nós naturalmente também o fazemos, mas achamos fundamental que não se deixe de recordar o Paulo de uma forma mais objectiva e crítica. Num prefácio escrito este ano a uma obra nossa, Eugénia Vasques falava da " forte personalidade de Paulo Lisboa, um artista brasileiro que suscitou no Visões Úteis o impulso para a assunção de uma diferença pautada por um universo nocturno, absurdo e grotesco, dominado pela linguagem de uma fisicalidade negadora do psicologismo emocional."

Poderá parecer estranho que os cúmplices artísticos - e amigos - invoquem as palavras da crítica para falar do Paulo. Mas gostaríamos que do outro lado do Atlântico se comprendesse que os anos passados pelo Paulo em Portugal não foram, de forma alguma, uma mera aventura. Muito pelo contrário. O Paulo Lisboa representou um corte brutal na biografia de várias pessoas; Pessoas que abandonaram o que parecia ser um destino já traçado para seguir o Paulo num maravilhoso salto no escuro e criar um projecto teatral de raiz, projecto tão marcado pela sua estética. E hoje não se pode compreender a geografia teatral da cidade do Porto, com Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira no Visões Úteis e com o Nuno Cardoso no Teatro Carlos Alberto, sem compreender o papel crucial do Paulo Lisboa, sem conhecer o seu talento e o seu raríssimo fascínio.

Naturalmente que 10 anos depois todos nós acabámos, de uma forma ou de outra, por nos afastarmos da estética do nosso pai - leia-se do Paulo - mas temos também a certeza que era isso que ele queria que acontecesse, e que lá em cima - o que quer que isso seja, diria o Paulão - sorri com o nosso percurso, com os nossos erros, com os nossos sucessos e, claro, com a nossa constante mas sempre adiada vontade de desistir.

Mas teremos sempre que invocar, ao falar do Paulo Lisboa, uma dimensão ética que marca quotidianamente o nosso trabalho: "Para fazer teatro é preciso ser boa pessoa", dizia o Paulo. E no Visões Úteis temos assumido sempre uma responsabilidade social e um gosto pelo confronto político que encontram uma raiz clara nas palavras e acções inspiradoras do Paulo Lisboa.

Finalmente, e numa perspectiva mais lúdica, recordamos o Paulo quando dizia: "Tem que dar prazer, se não der prazer não vale a pena fazer". 10 anos depois continuamos todos os dias a perguntar se o prazer ainda existe, tentando afastar o medo de ser engolidos pelo hábito, o medo do fazer por fazer, o medo de morrer sem saber que morremos.

Podemos portanto dizer que o Paulo Lisboa, esse artista brasileiro que no início dos anos 90 atravessou o Atlântico, marcou decisivamente uma parte importante da História do Teatro português, deixando uma marca estética e ética indisfarçável em vários criadores portugueses. E quanto ao Paulão... bem o Paulão continua bem vivo, todos os dias e sempre que pisamos uma sala de ensaio ou um palco... ele lá está festejando o nosso pouco talento e reclamando com impaciência das nossas grandes incapacidades... e gritando sempre "Porque é que fazemos isto? Não sabemos, meninos. Se soubéssemos não fazíamos!"

Os meninos continuam sem saber. Os meninos continuam a fazer. Os meninos amam-te. Obrigado Paulo!
publicado por VU às 14:47 [Ref.]
1 Comentários:
Blogger t.simon disse...

Tenho certeza que todos em Nova Lima fica muito feliz qnd le uma homenagem deste, tenho certeza que onde Paulo estiver ele deve estar atuando.
Parabens pelo texto.

t.simon

13/5/08 00:01  

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